A entrega da informação sobre biodiversidade

Depois do último post comentando sobre o fluxo de dados até a tomada de decisão, gostaria agora de focar e explorar a última etapa deste fluxo: a entrega da informação sobre biodiversidade. E, para fins didáticos, vou usar como analogia um restaurante.

Vamos considerar que existem pessoas “famintas” por informação de qualidade sobre biodiversidade, e chamaremos estas pessoas de “tomadores de decisão“.  Vamos considerar também que elas vão ao restaurante para consumir os pratos oferecidos no cardápio (ou não!), que reconhecemos aqui como “informação“.

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De dados à decisão – o fluxo de dados em biodiversidade

O dado sobre biodiversidade cumpre um longo trajeto, com várias etapas intermediárias,  até chegar ao seu consumidor final e participar do processo de tomada de decisão. Assim como um produto de varejo qualquer, como uma blusa por exemplo, que é composta de tecido, linha e botões agregados de forma precisa e lógica, o dado sobre a biodiversidade é como o botão, ou a linha, ou mesmo o tecido. Na mão de “alfaiates” habilidosos estes elementos tomam forma e propósito.

Uma vez formada a imagem ilustrativa com o exemplo da blusa, fica fácil imaginar o produto final como a agregação de diferentes elementos – ou recursos de informação – cuja produção cumpre uma série de etapas ou trechos até chegar a sua forma final, que é atender um propósito específico do seu consumidor.  Assim, o que pretendo discutir aqui são os trechos percorridos pelo dado, da sua coleta até se transformar em um produto final, pronto para ser “consumido” em um processo de tomada de decisão. Continue lendo “De dados à decisão – o fluxo de dados em biodiversidade”

Dados abertos sobre biodiversidade

Em 11 de Maio de 2016 o Decreto No 8.777 institui a Política de Dados Abertos do Poder Executivo federal, onde consta como seu primeiro objetivo,  “promover a publicação de dados contidos em bases de dados de órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional sob a forma de dados abertos“.

Esta iniciativa, cujo ponto de partida remonta o ano de 2000, com o Decreto que instituiu o “Grupo de Trabalho Interministerial para examinar e propor políticas, diretrizes e normas relacionadas com as novas formas eletrônicas de interação, integra a Estratégia de Governança Digital – EGD do Governo Eletrônico Brasileiro que, por sua vez, é suportado por uma conjunto de instrumentos legais.

Em essência, as raízes deste movimento vem da busca pela eficiência na gestão com base nas novas tecnologias, mas também, e fortemente, em questões relacionadas à transparência, que formam o que é chamado hoje de Governo Aberto – movimento global do qual o Brasil é signatário de sua declaração de princípios.

No caso específico dos dados sobre biodiversidade sob a guarda do governo federal, forma-se uma área de sobreposição com outra iniciativa global que é a “Ciência Aberta“, que tem como um de seus componentes os “dados abertos”. Continue lendo “Dados abertos sobre biodiversidade”

Sustentabilidade de Sistemas de Informação para Biodiversidade

O Blog do rOpenSci trouxe um artigo bem interessante do Daniel Katz cujo primeiro parágrafo traz uma pergunta que não quer calar:

“A research (software) project often starts with a bright idea and an initial commitment of volunteer time, or perhaps, a fixed term grant. But what happens after that initial activity? How can the project continue to sustain itself?”

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A lâmpada e o abajur

Quando vou falar de “padrões” com meus alunos ou em palestras, costumo dizer que “é muito bom poder ir comprar uma lâmpada sem precisar levar o abajur, pois o Parafuso de Edison é um padrão”.

É claro que o exemplo é apenas para efeito didático, visto que existem diferentes tamanhos de “Parafuso de Edison” (lilliput. miniatura, candelabro, pequeno, médio, gigante), e até outros padrões para se encaixar uma lâmpada em um soquete.

Entretanto, ele é eficiente para ilustrar o o tema deste post, que é sobre o padrão de dados Darwin Core [1] e sua implementação – o Darwin Core Archive (DwC-A). Continue lendo “A lâmpada e o abajur”

Avaliação rápida de risco de extinção

Em 21 de dezembro de 2006 a CONABIO publicou sua resolução no 03, trazendo as Metas Nacionais para Biodiversidade que deveriam ter sido atingidas até 2010. A meta 2.7 dizia: “Uma avaliação preliminar do status de conservação de todas as espécies conhecidas de plantas, e animais vertebrados e seletivamente dos animais invertebrados, no nível nacional“. Esta meta continua pendente. Continue lendo “Avaliação rápida de risco de extinção”

Síntese e análise de dados sobre biodiversidade

É difícil negar que “o quarto paradigma”[1] chegou nos estudos relacionados a biodiversidade e conservação[2]. O uso intensivo de dados, reflexo do crescimento exponencial dos “DAKs” (digital accessible knowledge)[3], criou um novo cenário no processo de tomada de decisão e formulação de políticas públicas relacionadas à biodiversidade e conservação: um cenário onde volumes maciços de dados heterogêneos e distribuídos necessitam ser qualificados, harmonizados e integrados para serem utilizados nos processos de síntese e análise.

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Uma arquitetura para publicação de informações sobre biodiversidade

O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), assim como várias outras instituições, produz e possui sob sua guarda um conjunto de recursos de informação variado sobre biodiversidade. Vamos considerar neste texto “recursos de informação” como sendo documentos (relatórios, dissertações, teses, publicações, etc), planilhas (dados estruturados, tabulados sob a forma de planilhas, arquivos de texto delimitados ou bancos de dados), apresentações (séries de “slides”), imagens (estáticas ou em movimento – vídeo), livros e publicações, mapas (em formato vetorial ou “raster”) e objetos em coleções científicas.

 

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