O paradoxo do cão perneta e (algumas) ONGs

Peço licença para tangenciar o tema central deste blog para compartilhar uma reflexão que venho amadurecendo há algum tempo, e que chamo de “o paradoxo do cão perneta”.

O Paxadoxo

Era uma vez, em um reino distante, a sociedade percebeu que a quantidade de cães pernetas estava aumentando na cidade. Preocupados, foram ao “Primeiro Setor” – o governo – buscar uma solução. Lá ouviram que não havia interesse, nem capacidade, nem competência para cuidar de cães pernetas. Haviam outras prioridades.

Resolveram então tentar o “Segundo Setor” – a iniciativa privada. Lá ouviram também que não havia interesse, nem capacidade, nem competência para cuidar de cães pernetas. Haviam outras prioridades.

Preocupados, resolveram se organizar como uma entidade da sociedade civil e formar o “Terceiro Setor”, criando uma ONG. Nada mais justo! O Terceiro Setor preenche as lacunas deixadas pelo primeiro e segundo setores, onde não há nestes o interesse, a capacidade ou competência para lidar com demandas legítimas da sociedade. Desta forma, surge então a ONG “Cãozinho Perneta Feliz”!

Chegamos então no paradoxo. Para o leitor sagaz ficou claro que para a ONG fofa, existem dois pontos estratégicos para manter sua relevância social e, em última instância, sua sobrevivência:

  1. Nem o Primeiro Setor nem o Segundo Setor podem criar interesse, capacidade ou competência para cuidar de cães pernetas, e;
  2. Nunca poderá faltar cães pernetas!

Assim, paradoxalmente, e em situações muito específicas, é possível que uma ONG exista para lidar com um problema que, estrategicamente, ela não quer resolver, pois isso significaria seu fim.

Os mais radicais, chegados em teorias conspiratórias, podem até elucubrar que algumas ONGs malignas financiam, soturnamente, a amputação de cães sadios para garantir que a sociedade esteja sempre reconhecendo os cães pernetas como um problema.

Finalizo lembrando que, ao contrário do que possa parecer, não sou contra ONGs pois cães pernetas merecem ser tratados com dignidade pela sociedade, seja por qual setor for.

E isso é apenas uma reflexão. 🙂

Uma resposta para “O paradoxo do cão perneta e (algumas) ONGs”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *