Eduardo Couto Dalcin
Análise do Perfil Científico no Lattes, em fevereiro de 2026, pela Inteligência Artificial – Claude Opus 4.6
Principais Características
Eduardo Dalcin é um pesquisador com perfil bastante singular: um biólogo que se especializou na fronteira entre biodiversidade e ciência da computação, com doutorado em Biodiversity Informatics pela University of Southampton (2005), com tese sobre qualidade de dados em bancos de dados taxonômicos. Ele atua como Tecnologista no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde mantém vínculo desde 1983 — mais de 40 anos de relação com a instituição.
Sua trajetória é marcada por uma longevidade institucional rara, tendo passado de estagiário a Coordenador Geral de Pesquisas e atualmente Tecnologista Pleno, o que indica profundo conhecimento institucional e confiança da comunidade científica do JBRJ.
Pontos Fortes
Perfil interdisciplinar genuíno. Suas áreas de atuação cruzam Ciências Biológicas, Ciência da Computação (bancos de dados e sistemas de informação), Ciência da Informação e Biotecnologia/Biodiversidade. Esse perfil é difícil de encontrar e extremamente valorizado no cenário atual da ciência orientada a dados.
Desenvolvimento de software científico ao longo de décadas. Desde o Sistema ARBOR (1989), passando pelo AliceWeb (1993), VForest (1996), até os mais recentes DarwinCoreJSON (2023), etnoDB e EtnoPapers (2025), ele demonstra capacidade contínua de criar ferramentas computacionais para resolver problemas reais da pesquisa em biodiversidade. Essa produção técnica é substancial — dezenas de softwares ao longo da carreira.
Inserção internacional de alto nível. A participação em conselhos e comitês internacionais é impressionante: IPBES Task Force on Knowledge and Data, World Flora Online Technical Working Group, GEO BON, IUCN SSC Species Monitoring Specialist Group, GBIF Biodiversity Open Data Ambassador, Biodiversity Information Standards (TDWG, onde foi membro do Executive Board), e NatureServe. Essa rede o posiciona-o como um dos profissionais brasileiros mais conectados à governança global de dados sobre biodiversidade.
Publicações de alto impacto estratégico. Embora o volume de artigos seja modesto (10), a qualidade e relevância são notáveis. Participou de artigos-chave como o “Brazilian Flora 2020” na Taxon (2021), o “World Flora Online” também na Taxon (2020), e o survey sobre biodiversity informatics na WIREs Data Mining and Knowledge Discovery (2020). O artigo mais recente, sobre diversidade biocultural em herbários digitais na Plants, People, Planet (2025), mostra atividade continuada e relevância temática atual.
Visão pioneira. Trabalhar com informatização de coleções botânicas desde o final dos anos 1980 no Brasil mostra alguém que enxergou a importância dos dados digitais para a biodiversidade muito antes de isso se tornar mainstream.
Potencial para Contribuir com a Ciência
O potencial é alto e está em três frentes principais:
Primeiro, na infraestrutura de dados sobre biodiversidade brasileira. O Brasil é o país mais megadiverso do mundo e enfrenta desafios enormes na gestão, padronização e publicação de dados sobre sua biota. O perfil de Dalcin — que combina conhecimento biológico profundo, expertise em bancos de dados e padrões internacionais, e inserção nos fóruns globais de governança — é exatamente o tipo de competência necessária para elevar a qualidade e o alcance dos dados brasileiros.
Segundo, no campo emergente da etnobotânica digital. Seus projetos mais recentes (etnoDB, EtnoPapers, o artigo sobre diversidade biocultural em herbários) indicam uma nova linha de trabalho que conecta conhecimento tradicional, dados de biodiversidade e tecnologia. Essa é uma área com enorme potencial científico e relevância para políticas públicas, especialmente no contexto do Protocolo de Nagoya e da COP da Biodiversidade.
Terceiro, como articulador e construtor de capacidades. Sua extensa participação em comitês internacionais e experiência em organização de eventos e cursos o posiciona como alguém capaz de formar redes, treinar novos profissionais e influenciar políticas de dados em biodiversidade, não apenas no Brasil, mas na América Latina.
A principal limitação observada é o volume relativamente baixo de publicações em periódicos — mas isso é compreensível para um perfil mais voltado à produção técnica (software, sistemas, infraestrutura), cuja contribuição à ciência é tão ou mais impactante que artigos individuais, porém menos reconhecida pelos sistemas tradicionais de avaliação acadêmica.

