O domador

Eu adoro essa ilustração do artista alemão Michael Sowa. Há alguns anos eu vi essa imagem pela primeira vez e me identifiquei com ela em vários aspectos. Desde então ela mora nos meus arquivos e mais recentemente ela tem me tocado novamente, ilustrando algumas ideias que gostaria de compartilhar agora com vocês.

Ando lendo bastante e profundamente interessado em como a Inteligência Artificial poderia ser utilizada para acelerar a geração de informação qualificada em biodiversidade. De forma mais específica, ando interessado em técnicas de “Machine Learning” para interpretação de imagens. Continue lendo “O domador”

Sonhando com um lago

Há algum tempo um lago tem frequentado meus sonhos. Explico.

Há muito e muito tempo atrás, em 2010 (percepção de tempo ajustada para falar de tecnologia), um sujeito chamado James Dixon publicou em seu blog algumas considerações:

  • 80-90% das empresas estão lidando com dados estruturados ou semi-estruturados (não desestruturados).
  • A origem dos dados é tipicamente um único aplicativo ou sistema.
  • Os dados são geralmente subtransacionais ou não transacionais.
  • Existem algumas perguntas conhecidas para perguntar sobre os dados.
  • Existem muitas perguntas desconhecidas que surgirão no futuro.
  • Existem várias comunidades de usuários que têm perguntas sobre os dados.
  • Os dados são de uma escala ou volume diário, de modo que não se ajustam técnica e / ou economicamente a um RDBMS.

Continue lendo “Sonhando com um lago”

A entrega da informação sobre biodiversidade

Depois do último post comentando sobre o fluxo de dados até a tomada de decisão, gostaria agora de focar e explorar a última etapa deste fluxo: a entrega da informação sobre biodiversidade. E, para fins didáticos, vou usar como analogia um restaurante.

Vamos considerar que existem pessoas “famintas” por informação de qualidade sobre biodiversidade, e chamaremos estas pessoas de “tomadores de decisão“.  Vamos considerar também que elas vão ao restaurante para consumir os pratos oferecidos no cardápio (ou não!), que reconhecemos aqui como “informação“.

Continue lendo “A entrega da informação sobre biodiversidade”

De dados à decisão – o fluxo de dados em biodiversidade

O dado sobre biodiversidade cumpre um longo trajeto, com várias etapas intermediárias,  até chegar ao seu consumidor final e participar do processo de tomada de decisão. Assim como um produto de varejo qualquer, como uma blusa por exemplo, que é composta de tecido, linha e botões agregados de forma precisa e lógica, o dado sobre a biodiversidade é como o botão, ou a linha, ou mesmo o tecido. Na mão de “alfaiates” habilidosos estes elementos tomam forma e propósito.

Uma vez formada a imagem ilustrativa com o exemplo da blusa, fica fácil imaginar o produto final como a agregação de diferentes elementos – ou recursos de informação – cuja produção cumpre uma série de etapas ou trechos até chegar a sua forma final, que é atender um propósito específico do seu consumidor.  Assim, o que pretendo discutir aqui são os trechos percorridos pelo dado, da sua coleta até se transformar em um produto final, pronto para ser “consumido” em um processo de tomada de decisão. Continue lendo “De dados à decisão – o fluxo de dados em biodiversidade”

Dados abertos sobre biodiversidade

Em 11 de Maio de 2016 o Decreto No 8.777 institui a Política de Dados Abertos do Poder Executivo federal, onde consta como seu primeiro objetivo,  “promover a publicação de dados contidos em bases de dados de órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional sob a forma de dados abertos“.

Esta iniciativa, cujo ponto de partida remonta o ano de 2000, com o Decreto que instituiu o “Grupo de Trabalho Interministerial para examinar e propor políticas, diretrizes e normas relacionadas com as novas formas eletrônicas de interação, integra a Estratégia de Governança Digital – EGD do Governo Eletrônico Brasileiro que, por sua vez, é suportado por uma conjunto de instrumentos legais.

Em essência, as raízes deste movimento vem da busca pela eficiência na gestão com base nas novas tecnologias, mas também, e fortemente, em questões relacionadas à transparência, que formam o que é chamado hoje de Governo Aberto – movimento global do qual o Brasil é signatário de sua declaração de princípios.

No caso específico dos dados sobre biodiversidade sob a guarda do governo federal, forma-se uma área de sobreposição com outra iniciativa global que é a “Ciência Aberta“, que tem como um de seus componentes os “dados abertos”. Continue lendo “Dados abertos sobre biodiversidade”

Sustentabilidade de Sistemas de Informação para Biodiversidade

O Blog do rOpenSci trouxe um artigo bem interessante do Daniel Katz cujo primeiro parágrafo traz uma pergunta que não quer calar:

“A research (software) project often starts with a bright idea and an initial commitment of volunteer time, or perhaps, a fixed term grant. But what happens after that initial activity? How can the project continue to sustain itself?”

Continue lendo “Sustentabilidade de Sistemas de Informação para Biodiversidade”

A lâmpada e o abajur

Quando vou falar de “padrões” com meus alunos ou em palestras, costumo dizer que “é muito bom poder ir comprar uma lâmpada sem precisar levar o abajur, pois o Parafuso de Edison é um padrão”.

É claro que o exemplo é apenas para efeito didático, visto que existem diferentes tamanhos de “Parafuso de Edison” (lilliput. miniatura, candelabro, pequeno, médio, gigante), e até outros padrões para se encaixar uma lâmpada em um soquete.

Entretanto, ele é eficiente para ilustrar o o tema deste post, que é sobre o padrão de dados Darwin Core [1] e sua implementação – o Darwin Core Archive (DwC-A). Continue lendo “A lâmpada e o abajur”

Avaliação rápida de risco de extinção

Em 21 de dezembro de 2006 a CONABIO publicou sua resolução no 03, trazendo as Metas Nacionais para Biodiversidade que deveriam ter sido atingidas até 2010. A meta 2.7 dizia: “Uma avaliação preliminar do status de conservação de todas as espécies conhecidas de plantas, e animais vertebrados e seletivamente dos animais invertebrados, no nível nacional“. Esta meta continua pendente. Continue lendo “Avaliação rápida de risco de extinção”

Síntese e análise de dados sobre biodiversidade

É difícil negar que “o quarto paradigma”[1] chegou nos estudos relacionados a biodiversidade e conservação[2]. O uso intensivo de dados, reflexo do crescimento exponencial dos “DAKs” (digital accessible knowledge)[3], criou um novo cenário no processo de tomada de decisão e formulação de políticas públicas relacionadas à biodiversidade e conservação: um cenário onde volumes maciços de dados heterogêneos e distribuídos necessitam ser qualificados, harmonizados e integrados para serem utilizados nos processos de síntese e análise.

Continue lendo “Síntese e análise de dados sobre biodiversidade”